Suicídios - Campo Grande - Mato Grosso do Sul: Junho 2017

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Reflexões



ANDRE LUIZ - OS MENSAGEIROS II

Como Sofres?

Texto extraído do livro "Vinha de Luz", Chico Xavier (Emmanuel)

"Mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte." - Pedro. (I PEDRO, 4:16.)

Não basta sofrer simplesmente para ascender à glória espiritual. Indispensável é saber sofrer, extraindo as bênçãos de luz que a dor oferece ao coração sequioso de paz.
Muita gente padece, mas quantas criaturas se complicam, angustiadamente, por não saberem aproveitar as provas retificadoras e santificantes?
Vemos os que recebem a calúnia, transmitindo-a aos vizinhos; os que são atormentados por acusações, arrastando companheiros às perturbações que os assaltam; e os que pretendem eliminar enfermidades reparadoras, com a desesperação.
Quantos corações se transformam em poços envenenados de ódio e amargura,
porque pequenos sofrimentos lhes invadiram o circulo pessoal? Não são poucos os que batem à porta da desilusão, da descrença, da desconfiança ou da revolta injustificáveis,
em razão de alguns caprichos desatentidos.
Seria útil sofrer com a volúpia de estender o sofrimento aos outros? não será agravar a divida o ato de agressão ao credor, somente porque resolveu ele chamar-nos a
contas?
Raros homens aprendem a encontrar o proveito das tribulações. A maioria menospreza a oportunidade de edificação e, sobretudo, agrava os próprios débitos,
confundindo o próximo e precipitando companheiros em zonas perturbadas do caminho evolutivo.
Todas as criaturas sofrem no cadinho das experiências necessárias, mas bem poucos espíritos sabem padecer como cristãos, glorificando a Deus.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

DETERMINISMO E LIVRE ARBÍTRIO - Emmanuel

Determinismo e Livre-arbítrio coexistem na vida, entrosando-se na estrada dos destinos, para a elevação e redenção dos homens.

O primeiro é absoluto nas mais baixas camadas evolutivas e o segundo amplia-se com os valores da educação e da experiência.

A determinação divina na sagrada lei universal é sempre a do bem e da felicidade, para todas as criaturas.

No lar humano, não vedes um pai generoso e ativo, com um largo programa de trabalhos pela ventura dos filhos? E cada filho, cessado o esforço da educação na infância, na preparação para a vida, não deveria ser um colaborador fiel da generosa providência paterna pelo bem de toda a comunidade familiar? Entretanto, a maioria dos pais humanos deixa a terra sem ser compreendida, apesar de todo esforço despendido na educação dos filhos.

Nessa imagem muito frágil, em comparação com a paternidade divina, temos um símile da situação.

O Espírito que, de algum modo, já armazenou certos valores educativos, é convocado para esse ou aquele trabalho de responsabilidade junto de outros seres em provação rude, ou em busca de conhecimentos para a aquisição da liberdade. Esse trabalho deve ser levado a efeito na linha reta do bem, de modo que esse filho seja o bom cooperador do Pai Supremo, que é Deus. O administrador de uma instituição, o chefe de oficina, o escritor de um livro, o mestre de uma escola, têm a sua parcela de independência para colaborar na obra divina, e devem retribuir a confiança espiritual que lhes foi deferida. Os que se educam e conquistam direitos naturais, inerentes à personalidade, deixam de obedecer, de modo absoluto, no determinismo da evolução, porquanto estarão aptos a cooperar no serviço das ordenações, podendo criar as circunstâncias para a marcha ascensional de seus subordinados e irmãos em humanidade, no mecanismo de responsabilidade da consciência esclarecida.

Nesse trabalho de ordenar com Deus, o filho necessita considerar o zelo e o amor paternos, a fim de não desviar sua tarefa do caminho reto, supondo-se senhor arbitrário das situações, complicando a vida da família humana, e adquirindo determinados compromissos, por vezes bastante penosos, porque, contrariamente ao propósito dos pais, há filhos que desbaratam os “talentos” colocados em suas mãos, na preguiça, no egoísmo, na vaidade e no orgulho.

Daí a necessidade de concluirmos com a apologia da Humanidade, salientando que o homem que atingiu certa parcela de liberdade está retribuindo a confiança do Senhor, sempre que age com a sua vontade misericordiosa e sábia, reconhecendo que o seu esforço individual vale muito, não por ele, mas pelo amor de Deus que o protege e ilumina na edificação de sua obra imortal.

Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

ANDRE LUIZ - OS MENSAGEIROS III

A PRIMEIRA DECEPÇÃO

Suicídio, Falsa Solução - Módulo 10

Suicídio, Falsa Solução - Módulo 09

Suicídio, Falsa Solução - Módulo 08

Suicídio, Falsa Solução - Módulo 07

Suicídio, Falsa Solução - Módulo 06

Suicídio, Falsa Solução - Módulo 05

Suicídio, Falsa Solução - Módulo 04

Suicídio, Falsa Solução - Módulo 03

Suicídio, Falsa Solução - Módulo 02

Suicídio, Falsa Solução - Módulo 01

70 ANOS DE CHICO XAVIER

Reflexões



quarta-feira, 21 de junho de 2017

Filhos Adotivos

“Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo espírito do que se o fossem pelo sangue.”

Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIV, item 8.

A família é uma instituição divina. Sob a supervisão de Espíritos moralmente elevados, formam-se na espiritualidade os agrupamentos familiares.

Allan Kardec elucida: “Não são os da consangüinidade os verdadeiros laços da família e sim os da simpatia e da comunhão de idéias”.

Pais e filhos biológicos ou adotados não são almas estranhas umas às outras. Sabemos que o acaso não existe, o processo de ligação entre eles inicia na espiritualidade, e, certamente, em encarnações anteriores. Pais e filhos adotivos são companheiros, prováveis membros da mesma família espiritual.

Segundo esclarecimentos da espiritualidade, aqueles que aguardam a oportunidade da adoção, podem ser filhos que, em função do orgulho, em outras vivências, se tornaram tiranos de seus pais, pagando com ingratidão e dor a ternura e zelo paterno.

Como toda a relação onde prevalece o bom senso, a moral e o amor, os filhos adotivos devem saber a verdade sobre a sua situação, esclarecendo que o amor não nasce de um processo químico-físico e sim no coração das criaturas.

Reforçando a importância do diálogo fraterno e sincero, André Luiz, esclarece-nos: “Filhos adotivos quando crescem ignorando a verdade, costumam trazer enormes complicações, principalmente quando ouvem esclarecimentos de outras pessoas”.

É sabido por todos que pais que desenvolvem o diálogo franco e sincero, com base no respeito mútuo, sob a luz da orientação cristã, fortalecem os laços afetivos, tornando a questão “adoção”, como secundária.

A adoção, além do caráter social, resulta em um amadurecimento dos sentimentos existente nos membros da família que recebe o filho alheio. É ato de amor extremo, além da confiança de Deus na possibilidade de amar e ensinar, perdoar e auxiliar aos companheiros que retornam para hoje valorizarem o desvelo e a atenção que ontem não souberam fazer.

Os adotados trazem, no coração, muitas vezes, desequilíbrios passionais de outros tempos ou arrependimento doloroso para a solução dos quais pedem, ao reencarnarem, a ajuda daqueles que os acolhem, não como filhos do corpo, mas sim filhos do coração.

Recebendo em nossos lares um filho adotivo, guardemos no coração a certeza de que Jesus está nos confiando a responsabilidade sagrada de superar o próprio orgulho e vaidade, amando verdadeiramente e desinteressadamente a criatura de Deus confiada em trabalho de educação e amparo.

Amemos nossos filhos, sem cogitar se nos vieram aos braços pela descendência física ou não, como encargo abençoado que Deus nos presenteia.

Por fim, lembremos Emmanuel: “Recorda que, em última instância seja qual a nossa posição nas equipes familiares da terra, somos, acima de tudo, filhos de Deus”.

Texto baseado nas obras: Um Desafio Chamado Família

Joamar Zanolini Nazareth – Minas Editora

Evangelho Segundo Espiritismo – Allan Kardec

sábado, 17 de junho de 2017

Dedicações Incompreendidas

Dedicações incompreendidas são cursos de burilamento íntimo em que podemos aprender a amar sem o culto do egoísmo no qual "sermos amados" costuma ser a nossa preocupação.

André Luiz

segunda-feira, 12 de junho de 2017

A calma que se precisa

O momento decisivo da evolução humana pede persistência, coragem, mas também calma.

Se pensarmos no alcance no final da conhecida expressão de Jesus: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei, podemos ampliar seu entendimento e entender seu divino convite.

Afinal o "como eu vos amei", como devemos entender?

Como é que Ele nos amou?

Em boa síntese didática-educativa, podemos entender que:

a) Ele sempre respeitou nossa posição evolutiva. Tanto que sempre valorizava quem dele sem aproximava. Às diferentes personalidades que o procuraram, da mulher adúltera ao doutor da lei, respeitou-lhes o estágio moral.

b) Nada pediu em troca pelos inúmeros benefícios que trouxe à humanidade. Isso é uma demonstração de amor. Ama e porque ama ampara, consola, conforta, orienta; Nada exigiu, aguarda nosso despertar.

c) Importou-se conosco. Esse importar-se conosco foi demonstrado na prática pelas expressivas manifestações de entendimento de nossa precária condição evolutiva, estendendo-nos seu divino amparo e orientação.

Daí a recomendação fraterna: "Amai-vos uns aos outros". Mas apresentou também a proposta de como fazê-lo, acrescentando o "como eu vos amei". Até porque - e hoje entendemos com mais exatidão - ele é o Modelo e Guia, referência mais alta que possuímos no planeta para seguir e nos esforçarmos como exemplo para incorporarmos ao comportamento.

Essa adoção de postura no comportamento é capaz de vencer obstáculos, extinguir contendas e dispensar mágoas, ressentimentos ou sentimento de vingança ou mesmo temores infundados, uma vez que estamos todos protegidos por sua grandeza e bondade.

É a calma, a resignação ativa, que trabalha, compreende e encontra outros caminhos que sejam de paz para superação dos imensos desafios da atualidade.

Orson Peter Carrara

sexta-feira, 9 de junho de 2017

“A Importância do Agora”, com Aloisio Carlos da Silva

À LUZ DO EVANGELHO - Emmanuel

Meus amigos:

Saudando o nosso irmão presente, bem como aos demais companheiros da nossa caravana evangélica, faço-o na paz de Jesus, desejando-vos a sua luz santificadora.

Nada mais útil do que o esforço de evangelização, na atualidade, e é dentro dessa afirmativa luminosa que precisamos desenvolver todos os nossos labores e pautar todos os pensamentos e atitudes.

As transições terríveis e amargas do século têm sua origem na clamorosa incompreensão do exemplo do Cristo.

O trabalho secular de organização das ciências positivas caminhou a par da estagnação dos princípios religiosos. Os absurdos contidos nas afirmações e negações de hoje são o coroamento da obra geral das ciências humanas, entre as quais, despojada de quase todos os seus aspectos magníficos da Antigüidade, vive a filosofia dentro de um negativismo transcendente.

E o que se evidencia aos amargurados dias que passam, é, de um lado, a ciência que não sabe e, de outro, a religião que não pode.

O nosso labor deve caracterizar-se totalmente pelo esforço de renovação das consciências e dos corações, à luz do Evangelho. Urge, pelos atos e pelos sentimentos, retirar da incompreensão e da má-fé todas as leis orgânicas do código divino, e aplicá-las à vida comum.

O vosso sacrifício e o vosso esforço executarão o trabalho regenerador, mas necessário é não vos preocupeis com os imperativos do tempo, divino patrimônio da existência do espírito. À força de exemplificação e apoiados nas vossas convicções sinceras, conseguireis elevadas realizações, que farão se transladem para as leis humanas as leis centrais e imperecíveis do Divino Mestre.

Esse o grande problema dos tempos.

Nenhuma mensagem do mundo espiritual pode ultrapassar a lição permanente e eterna do Cristo, e a questão, sempre nova, do Espiritismo é, acima de tudo evangelizar, ainda mesmo com sacrifício de outras atividades de ordem doutrinária. 

A alma humana está cansada de ciência sem sabedoria e, envenenado pelo pensamento moderno, o cérebro, nas suas funções culturais, precisa ser substituído pelo coração, pela educação do sentimento.

O Evangelho e o trabalho incessante pela renovação do homem interior devem constituir a nossa causa comum. 

Procuremos desenvolver nesse sentido todo o nosso esforço dentro da oficina de Ismael, e teremos encontrado, para a nossa atividade, o setor de edificação sadia e duradoura.

Que Jesus abençoe os labores do nosso amigo e dos seus companheiros, que, com abnegação e renúncia, lutam pela causa do glorioso Anjo, servindo de instrumento sincero à orientação superior da sua Casa no Brasil, é a rogativa muito fervorosa do irmão e servo humilde.

Psicografada por Francisco Cândido Xavier no dia 13 de maio de 1938.

Dirigida a Manuel Quintão, na época Vice-Presidente da Federação Espírita Brasileira, que se achava em Pedro Leopoldo em visita ao Chico.

Foi publicada pelo Reformador daquele mesmo ano (p. 210) e republicada no número de maio de 1976, da mesma revista (p. 123).

PRECE AO ANJO DA GUARDA

Amigo sublime que deu-me o Senhor por guardião, valei-me!...
Te rogo atuação direta em todos os momentos de minha vida, para que as dificuldades não pesem excessivamente sobre mim e assim eu deixe de percebê-lo ao meu lado!...
Tu és meu amparo e conforto, raio vivo do Divino Amor a resplandecer no chão, em meu favor!... 
Tua interferência recorda-me docemente que Deus jamais se ausenta de seus filhos, enviando a eles, incansavelmente, recursos para a superação de dores e dificuldades, velando por todos através do santo amor que os anjos nos devotam!... Dentro da noite tu és minha estrela guia, dentro do dia o rumo digno e sensato, e teu amoroso impulso leva-me a vencer com segurança e leveza imensas dificuldades, a feição do atleta treinado que galga degraus rudes sem cansar-se excessivamente.
És resposta divina a todas as aflições!...
Para a dor, és o lenitivo;
para a tristeza, és a nota alegre;
para a angústia, és a esperança;
para a ansiedade, és a calma;
para o medo, és a confiança;
para a incerteza, és a fé;
para a insensatez, és a reflexão;
para o desequilíbrio, és a harmonia;
para a ira, és a ponderação;
para o ódio, és a perdão;
para a guerra, és a paz...
Ilumina minhas pegadas frágeis, meu anjo bom, para que eu siga adiante sem esmorecer; fortalece meu coração nos embates e nas provas das quais não posso me esquivar e faz de mim um forte, um vencedor!...
Deixa teu olhar amigo derramar-se por sobre meu coração para que eu não esqueça, por um momento que seja, que velas pelo meu progresso e pela minha felicidade, sem nada pedir em troca senão um pouco de confiança, um pouco de fé e um tanto mais de coragem!...
Hoje, me ajuda a seguir alegre e confiante ao encontro das bênçãos e oportunidades que Deus me reservou por tarefa, não permitindo que eu me entristeça ou me irrite com os percalços da caminhada.
E quando me deixares livre para aplicar meu livre arbítrio, nas decisões que me dizem respeito, que ainda assim teu hálito seja intuição e atitude, seja certeza e direção, impedindo-me o erro e o sofrimento depois...
Que Deus esteja conosco e eu contigo, em todos os momentos de minha existência, para que, sob tua proteção, a alegria seja a tônica de meus atos, e a sabedoria, o ingrediente feliz de meu triunfo sobre todas as dificuldades!...

Assim seja!
(Oração recebida no Instituto André Luiz em 18.06.2003)

sexta-feira, 2 de junho de 2017

O Espiritismo

O Espiritismo, dessa forma, definindo - se não apenas como sendo a religião da verdade e do amor, mas também da justiça e da responsabilidade, vem esclarecer-nos que responderemos, não só pelo mal que houvermos feito, mas igualmente pelo mal que decorra do nosso comodismo em não praticando o bem que nos cabe fazer. 

Questão 642 de “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”

quinta-feira, 1 de junho de 2017

PRATICAR O BEM SEM OSTENTAÇÃO

Os Capítulos 5 a 7 do Evangelho de Mateus relatam o chamado Sermão da Montanha, monumental ensinamento que o Mestre nos legou e que, pó si só, representa um completo manual para atingirmos a perfeição. No Capítulo VI, o evangelista nos relata as seguintes palavras de Jesus:

Tende cuidado em não praticar as boas obras diante dos homens, para serem vistas, pois, do contrário, não recebereis recompensa de vosso Pai que está nos céus. - Assim, quando derdes esmola, não trombeteeis, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Digo-vos, em verdade, que eles já receberam sua recompensa. - Quando derdes esmola, não saiba a vossa mão esquerda o que faz a vossa mão direita; - a fim de que a esmola fique em segredo, e vosso Pai, que vê o que se passa em segredo, vos recompensará. - (Mateus, VI, 1 a 4)

Fazer o Bem sem Ostentação é o título que Kardec escolheu para comentar a passagem acima. Disse ele:

A beneficência praticada sem ostentação tem duplo mérito. Além de ser caridade material, é caridade moral, visto que resguarda a suscetibilidade do beneficiado, faz-lhe aceitar o benefício, sem que seu amor-próprio se ressinta e salvaguardando-lhe a dignidade de homem, porquanto aceitar um serviço é coisa bem diversa de receber uma esmola. Ora, converter em esmola o serviço, pela maneira de prestá-lo, é humilhar o que o recebe, e, em humilhar a outrem, há sempre orgulho e maldade. A verdadeira caridade, ao contrário, é delicada e engenhosa no dissimular o benefício, no evitar até as simples aparências capazes de melindrar, dado que todo atrito moral aumenta o sofrimento que se origina da necessidade. Ela sabe encontrar palavras brandas e afáveis que colocam o beneficiado à vontade em presença do benfeitor, ao passo que a caridade orgulhosa o esmaga. A verdadeira generosidade adquire toda a sublimidade, quando o benfeitor, invertendo os papéis, acha meios de figurar como beneficiado diante daquele a quem presta serviço. Eis o que significam estas palavras: "Não saiba a mão esquerda o que dá a direita."

Na prática da beneficência devemos nos vestir, deslocar e comportar com simplicidade, de modo a reduzir, o mais que possível, a aparência de distância social entre nós e aqueles que beneficiamos. Devemos olhar nos olhos das pessoas, oferecer a elas nossas mãos, em relação afetuosa, levá-las a nos ver não como seres iluminados que desceram à Terra, mas como seus iguais que têm um pouco sobrando que lhes pode ser dado. Tal percepção é a mera expressão da verdade, pois, se temos condição de ajudar e se outros necessitam de auxilio, tanto uma quanto a outra condição foram dadas pelos respectivos guias espirituais, tendo em vista a necessidade evolutiva de cada um, não sendo, de modo algum, o reflexo do mérito de uns e do demérito dos outros. Se o que temos a dar é dinheiro, que saibamos dar cem reais com a mesma expressão no rosto que se estivéssemos a dar dez centavos, posto que se temos muito para dar, isso não nos é mais meritoso do que se pouco estivesse ao nosso alcance.

Fazer o Bem sem Olhar a Quem

O dito popular que escolhemos como título desta seção de nosso estudo equivale ao que Kardec utilizou no Capítulo XIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, qual seja : “Convidar os Pobres e os Estropiados. Dar sem esperar Retribuição”. Isso dizemos, posto que aquilo que o dito popular quer dizer não é que devamos desviar o olhar daqueles a quem servimos, mas, sim, que não devemos levar em consideração se nossos beneficiados são pobres ou ricos, fracos ou fortes, belos ou feios, saudáveis ou doentes. Dar sem esperar retribuição é possível quando não fazem diferença para nós as características materiais daquele que é o objeto de nossa caridade, pois sabemos que tanto ele quanto nós somos Espíritos imortais, irmãos na caminhada rumo à perfeição. Entender perfeitamente esta diretriz requer, no entanto, que saibamos que a caridade de que estamos falando não é apenas a caridade material, uma vez que os ricos dela prescindem, mas, também e, principalmente, a caridade moral. Desta, ao contrário daquela, necessitam ricos e pobres.

Em Instruções dos Espíritos, sob o título “A Caridade Material e a Caridade Moral”, o Espírito Irmã Rosália assim define a caridade moral:

Desejo compreendais bem o que seja a caridade moral, que todos podem praticar, que nada custa, materialmente falando, porém, que é a mais difícil de exercer-se.

A caridade moral consiste em se suportarem umas às outras as criaturas e é o que menos fazeis nesse mundo inferior, onde vos achais, por agora, encarnados. Grande mérito há, crede-me, em um homem saber calar-se, deixando fale outro mais tolo do que ele. É um gênero de caridade isso. Saber ser surdo quando uma palavra zombeteira se escapa de uma boca habituada a escarnecer; não ver o sorriso de desdém com que vos recebem pessoas que, muitas vezes erradamente, se supõem acima de vós, quando na vida espírita, a única real, estão, não raro, muito abaixo, constitui merecimento, não do ponto de vista da humildade, mas do da caridade, porquanto não dar atenção ao mau proceder de outrem é caridade moral.

Essa caridade, no entanto, não deve obstar à outra. Tende, porém, cuidado, principalmente em não tratar com desprezo o vosso semelhante. Lembrai-vos de tudo o que já vos tenho dito: Tende presente sempre que, repelindo um pobre, talvez repilais um Espírito que vos foi caro e que, no momento, se encontra em posição inferior à vossa. Encontrei aqui um dos pobres da Terra, a quem, por felicidade, eu pudera auxiliar algumas vezes, e ao qual, a meu turno, tenho agora de implorar auxílio.

Na prática da caridade, seja ela moral ou material, devemos ter em mente duas lições.

A primeira é aquela para a qual a Irmã Rosália nos chama a atenção, isto é, que o pobre a quem atendemos com o auxílio material pode ser um Espírito mais evoluído que nós. Não só pode, é bom que saibamos, como deve. Afinal, as cruzes mais pesadas são sempre entregues a quem já está preparado para suportá-las.

A segunda diz respeito à retribuição em si. Muito poucos Espíritos encarnados no planeta estão aqui em missão. A grande maioria de nós, talvez a quase totalidade, está nesta Terra para resgatar os erros do passado e aprender como melhor se comportar em relação ao próximo. Assim sendo, é necessário que estejamos conscientes, ao praticarmos a caridade, que tal atitude é, antes de tudo, em nosso próprio proveito e que aquele que parece ser nosso beneficiado nada mais é que alma caridosa que nos beneficia ao nos dar a oportunidade de servi-la. Ao praticar a caridade, portanto, mais do que agirmos como se fossemos nós que estivéssemos recebendo a caridade, devemos estar conscientes de que é isso mesmo que de fato ocorre. Ao final da ação caritativa o que nos cabe é agradecer a Deus pela oportunidade que tivemos de servir e não nos julgar merecedores de sua graça, posto já a termos recebido.

Conforme comenta o Codificador, muitas pessoas furtam-se a praticar a caridade alegando terem pouco ou apenas o necessário para seu próprio sustento. Nada poderia ser mais distante da verdade. Como já vimos, a caridade não se restringe ao seu aspecto material, sendo possível para todos sob o aspecto moral. Se uma pessoa carece de recursos financeiros para auxiliar aos necessitados, eis aí uma oportunidade de procurar, nos talentos de que foi aquinhoada, outros recursos para fazê-lo. Todos nós viemos ao mundo com uma certa quantidade de talentos. Uns são fortes, outros, belos, outros tantos, saudáveis e outros mais, inteligentes. Este tem jeito para consertar equipamentos, aquele para reparar canos, outro para cozinhar, outro mais para costurar. Uns cantam, outros dançam, alguns sabem representar, há quem saiba contar piadas. Não há um só Espírito encarnado que não tenha pelo menos um talento e, sendo assim, este talento sempre poderá ser colocado a serviço dos necessitados.

No entanto, se, mesmo após muito procurar, a pessoa não reconheça em si nenhum talento escondido, ainda resta a vontade de ser útil e a ajuda da espiritualidade. A esse respeito, transcrevemos abaixo a fala de Kardec:

Todo aquele que sinceramente deseja ser útil a seus irmãos, mil ocasiões encontrará de realizar o seu desejo. Procure-as e elas se lhe depararão; se não for de um modo, será de outro, porque ninguém há que, no pleno gozo de suas faculdades, não possa prestar um serviço qualquer, prodigalizar um consolo, minorar um sofrimento físico ou moral, fazer um esforço útil. Não dispõem todos, à falta de dinheiro, do seu trabalho, do seu tempo, do seu repouso, para de tudo isso dar uma parte ao próximo? Também aí está a dádiva do pobre, o óbolo da viúva.

Quando temos vontade de servir, a espiritualidade não nos nega auxílio, sempre nos guiando até os necessitados que estejam ao nosso alcance ajudar. Façamos, pois, a nossa parte, nos colocando disponíveis para o serviço do bem.

OS INFORTÚNIOS OCULTOS E AS GRANDES DESGRAÇAS

Kardec nos chama a atenção, no entanto, para os infortúnios ocultos, as desgraças particulares que, apesar de dispersas e sem interesse para a mídia, formam, no todo, um volume de desgraças muitas vezes superior à soma de todos os grandes flagelos que a mídia tanto propaga. Ser caridoso ou heróico no atendimento a um infortúnio oculto jamais será divulgado na mídia, tornando o autor mais meritório perante Deus.

Quem é caridoso de coração encontra os infortúnios ocultos à sua volta, no lar, nas ruas, no trabalho ou onde quer que seja e, tendo-o encontrado, logo se põe a serviço, procurando minimizar o sofrimento dos infortunados. Para que possamos encontrar os infortúnios ocultos é necessário que calemos nosso ego e foquemos a atenção no próximo. O necessitado pode estar do nosso lado todo o dia e nunca o termos percebido, pois as demandas de nossas emoções descontroladas somente permitem que vejamos nossas próprias necessidades e carências.

Aprender a ser caridoso sem a pressão emocional dos grandes flagelos requer força de vontade e dedicação. E, sendo assim, não é de se estranhar que Kardec tenha ocupado a maior parte da seção em que fala dos infortúnios ocultos com um exemplo de como uma senhora praticava a caridade ao mesmo tempo em que exemplificava e explicava à sua filha como fazê-lo. A esse propósito, é bom saber que...