segunda-feira, 25 de setembro de 2017

"Da mesma maneira como existem infecções orgânicas, acontecem também as fluídicas. Muitos desencarnados, movidos por vingança, empolgam a imaginação dos adversários encarnados, com formas mentais monstruosas, classificadas pelos instrutores como "infecções fluídicas", com grande poder destruidor, podendo levar até à loucura.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Plenitude libertando do sofrimento

PLENITUDE (Joanna de Ângelis – psicografia Divaldo P. Franco)

Introdução:  É apresentado, neste livro, uma análise dos vários tipos de sofrimento, físicos e morais. Joanna de Ângelis faz uma análise dos aspectos do sofrimento, conforme a visão budista e a cristã, propondo a solução espírita, convidando-nos ao autodescobrimento, à vivência evangélica, ao comportamento lúcido advindo do estudo e da ação iluminativa na trilha da caridade fraternal.

Na variada gênese do sofrimento, todo esforço para mitigá-lo, sem a remoção das causas, não logrará senão paliativos, adiamentos. Mesmo quando alguma injunção premie o enfermo com uma súbita liberação, se a terapia não alcançou as razões que o desencadeiam, ele transitará de uma outra problemática sem conseguir a saúde real.

Fugir, escamotear, anestesiar o sofrimento são métodos ineficazes, mecanismos de alienação que postergam a realidade, somando-se sempre com a sobrecarga das complicações decorrentes do tempo perdido.

Pelo contrário, uma atitude corajosa de examiná-lo e enfrentá-lo representa Valioso recurso de lucidez com efeito terapêutico propiciador de paz. A resignação dinâmica.

A resignação dinâmica, isto é, a aceitação do problema com uma atitude corajosa de o enfrentar e remover-lhe a causa, representa avançado passo para a solução.

Análise do sofrimento.

As Quatro Nobres Verdades
A verdade da origem do sofrimento A verdade da cessação do sofrimento A verdade do caminho que leva a cessação do sofrimento.
Segundo Gautama: O sofrimento do sofrimento. O sofrimento da impermanência. O sofrimento resultante dos condicionamentos.

O sofrimento do sofrimento é o resultado das aflições que ele mesmo proporciona.
A dor macera os sentimentos, desencoraja as estruturas psicológicas frágeis, infelicita, leva a conclusões falsas e estimula os estados de exaltação emocional ou depressão, conforme a estrutura íntima de cada vítima.

Apresenta-se sobre dois aspectos: Físico Mental
A conduta moral e mental dos homens, quando cultiva as emoções da irritabilidade, do ódio, do ciúme, do rancor, das dissipações, impregna o organismo, o sistema nervoso, com vibrações deletérias que bloqueiam áreas por onde se espraia a energia saudável(...)

(...)abrindo campo para a instalação das enfermidades, graças à proliferação dos agentes viróticos degenerativos que ali se instalam.
As tensões físicas, mentais e emocionais são, igualmente, responsáveis pelas doenças – sofrimento que gera sofrimento.
Emoções Sentimentos Nascem das Emoções Afetos Exprime-se através das emoções
As causas profundas das doenças, portanto, estão no indivíduo mesmo, que se deve auto examinar, autoconhecer-se a fim de liberar-se desse tipo de sofrimento.
O sofrimento da Impermanência.
De imediato o prazer gera sofrimento. O cotidiano demonstra que a busca insaciável do prazer constitui um tormento que aflige sem compensação.
Quando se tem a oportunidade de fluí-lo, constata-se que o preço pago foi muito alto e a sensação conseguida não recebeu retribuição correspondente.
Há aquisições que proporcionam prazer em um momento para logo se transformarem em dores acerbas. E o responsável por esse resultado é a ilusão.
A maioria dos sofrimentos decore da forma incorreta por que a vida é encarada. Na sua transitoriedade, os valores transcendem ao aspecto e à motivação que geram prazer.
Esse é o sofrimento da impermanência das coisas terrenas. Esfumam-se como palha ao fogo, atiçado pelo vento, logo se transformando em cinza flutuante no ar.
Somos contrariados todo o tempo, pelo que queremos e pelo que conseguimos. A maioria das coisas que planejamos, não saem como o planejado.
O sofrimento resultante dos condicionamentos.
O sofrimento resultante dos condicionamentos abarca a educação incorreta, a convivência social pouco saudável, que propiciam agregados físicos e mentais contaminados.
Escala de valores: Imediatismo. O vulgar. O promiscuo. O poder transitório. A força.
Ao mesmo tempo, a contaminação psíquica e física, derivada dos condicionamentos doentios dos grupos sociais e dos indivíduos, promove o sofrimento que poderiam ser evitados.
Origens do sofrimento.
Os sofrimentos produzidos por causas anteriores são sempre, como os decorrentes de causas atuais, uma consequência natural da própria falta cometida. Quer dizer que, em virtude de uma rigorosa justiça distributiva, o homem sofre aquilo que fez os outros sofrerem. Allan Kardec – ESE – Cap. 5 item - 7
O budismo ainda apresenta duas condições para a origem do sofrimento: Interna e externa Resultando daí outras duas ordens: Cármicas e as emoções perturbadoras
Determinismo Nascimento – Morte – Reencarnação
Livre arbítrio A opção por como e quando agir libera o espírito do sofrimento ou agrilhoa-o nas suas tenazes.
Os sofrimentos humanos de natureza cármica podem apresentar-se sob dois aspectos que se complementam: Provação e Expiação
Provação É a experiência requerida ou proposta pelos guias espirituais antes do renascimento corporal.
Poder-se-á identificar essa providencial escolha na resignação e coragem demostradas pelo educando e até mesmo na sua alegria diante das ocorrências dolorosas.
Expiação São impostas, irrecusáveis, por constituírem a medicação eficaz, a cirurgia corretiva para o mal se se agravou.
Cada ser vive com a consciência que estrutura.
Enquanto as provações constituem forma de sofrimento reparador que promove, as expiações apenas restauram o equilíbrio Perdido, reconduzindo o delituoso á situação em que se encontrava antes da queda brutal.
Causas atuais dos sofrimentos ...quando o homem o busca mediante a irresponsabilidade, á precipitação e a prevalência do orgulho.
Na raiz de qualquer tipo de sofrimento sempre será encontrado como seu autor o próprio espírito, que se conduziu erroneamente, trocando o mecanismo do amor pelo da dor, no processo da sua evolução.
A dor tem o papel de reconduzi-lo ao amor, de onde se afastou.
Cessação do sofrimento.

“O homem tem que lutar com o problema do sofrimento e não com o sintoma. O sofrimento precisa ser superado e o único meio de superá-lo é suportando- o.
Aprendemos isso com Ele(o Cristo)”. Jung (cartas,vol 1).
Saber quais são os sofrimentos. Conhecer as origens. Compreender o por que e para que do sofrimento. Interiorizar esse conhecimento. Resignação ativa.
Caminhos para o cessar do sofrimento.
Qual é a finalidade da encarnação dos Espíritos? Em . LE. 132.
Deus a impõe com o fim de levá-los à perfeição: para uns, é uma expiação; para outros, uma missão. Mas, para chegar a essa perfeição, eles devem sofrer todas as vicissitudes da existência corpórea; nisto é que está a expiação. A encarnação tem ainda outra finalidade, que é a de pôr o Espírito em condições de enfrentar a sua parte na obra da Criação.
A reencarnação tem função pedagógica e não punitiva.
A Cessação do sofrimento reside no amor.
Como aprender a amar?
“Mestre, qual o mandamento maior da lei?” - Jesus respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma e de todo o teu espírito; este o maior e o primeiro mandamento”.
E aqui tendes o segundo, semelhante a esse: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.” (S. MATEUS, cap. XXII, vv. 34 a 40.)
Caminhos para a saúde e autocura
Altruísmo. O altruísmo é a lição viva da caridade, expressão superior do sentimento de amor enobrecido, abre as portas à ação, sem a qual não teria sentido sua existência.
Fazei aos homens tudo o que queirais que eles vos façam, pois é nisto que consistem a lei e os profetas. (Idem, cap. VII, v. 12.)
Quem medita retamente, crê, quer, fala, opera, vive, esforça-se e pensa com retidão, adquire os valores indispensáveis à salvação.
Nesse estágio, a pessoa doa-se e já não mais vive, sendo o “Cristo quem vive” nela, conforme afirmou o apostolo Paulo:...”(...); logo, já não sou eu que vive, mas o Cristo que vive em mim.” (Gálatas 2:20)
 (...) Liberta-se, por fim do sofrimento.


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

sábado, 16 de setembro de 2017

Diga sim a vida.

A calma e a resignação adquiridas na maneira de encarar a vida terrena, e a fé no futuro, dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo da loucura e do suicídio. 
O suicido traz grandes decepções e é contrária à Lei de Deus!!

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A ALMA NÃO MORRE NUNCA

A alma não desaparece com o corpo, como também não é destruída pela morte, pois é imortal e imperecível. Portanto, ela não desaparece com o suicídio, assim como não deixa de sofrer, porque a vida prossegue em outro plano. A decepção que experimentam os suicidas é muito grande. Ao pretenderem acabar com os sofrimentos na Terra, intencionalmente buscando a morte, constatam, ao contrário disso, que continuam vivos, suportando as mesmas dores e sofrimentos.

Encontramos tal realidade nos relatos fornecidos pelos Espíritos suicidas, por intermédio de diversos médiuns, e registrados em diferentes obras espíritas. São depoimentos sobre as mais variadas situações que eles vivem em diferentes regiões do mundo espiritual, nas quais permanecem temporariamente expiando as dolorosas consequências de seu ato infeliz. Ao reencarnarem na Terra, todos passam por experiências regeneradoras, com o fim de se harmonizarem com as leis do Criador.

Agora, se a sua vida está difícil, vale a pena suicidar-se carregando na alma após a morte o remorso deste gesto infeliz? Claro que não. Quem hoje em dia não sofre? Quem não tem problemas sérios a resolver? Quem não carrega uma cruz pesada? E todas essas pessoas não conseguem vencer as suas dificuldades? Por que então você, que às vezes pensa em desertar da vida, também não vencerá as suas?

É preciso parar para pensar e buscar uma solução. Todos os problemas da vida têm solução.

No entanto, se você está se sentindo fraco, com as forças se esgotando, levante a cabeça para cima. Levante os olhos para o céu e peça com humildade a ajuda de Deus, que nunca está pobre de misericórdia. Deus, que é o nosso pai, não deixará você na rua da amargura e do desespero. Então, faça esta oração para buscar forças e coragem:

“Nosso Pai de amor e bondade! Ajuda-me a sair do desespero. Dá-me forças para continuar vivendo. Alivia a minha dor e ampara-me nesta hora difícil, porque sei que o Teu amor cobre a multidão dos meus erros. Diante da Tua Eterna compaixão, ergo as minhas mãos enfraquecidas nas lutas da vida, suplicando coragem para me levantar e poder caminhar com ânimo e vontade de viver.

Enxuga, Senhor, as minhas lágrimas nas dobras do Teu manto de infinita luz. Conforta o meu coração angustiado e sofrido neste momento. E eu te prometo, Senhor, com toda fé e convicção, que jamais ofenderei a Tua Suprema Bondade acabando com a minha vida, porque eu creio no Teu Infinito Amor! Por isso eu te peço Senhor, não me desampares jamais. Assim seja!”.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A TRAJETÓRIA DO ESPÍRITO

Somos viajores das eras. Atravessamos os tempos na caminhada evolutiva em busca de nós mesmos. Longa é a jornada do Espírito imortal, que só muito lentamente constrói a si mesmo, no ingente e belo processo de amadurecimento. O ser humano traz em seu íntimo o desejo incessante do melhor que o propele a prosseguir sempre, ainda que, momentaneamente, se mantenha estagnado em alguns períodos dessa viagem, que sempre é retomada mais adiante. Criados simples e ignorantes todos os seres humanos iniciam seus primeiros passos através de experiências que se vão somando no ir-e-vir das reencarnações, a fim de que descubra, gradativamente, os infinitos recursos que compõem a sua individualidade. Esses atributos equipam o Espírito de condições para enfrentar as dificuldades naturais do processo evolutivo.
O Livro dos Espíritos, questão 76, ensina que “os Espíritos são os seres inteligentes da criação.” Portanto, a inteligência é o atributo essencial do Espírito, juntamente com a consciência de si mesmo e o livre arbítrio. Outros atributos somam-se a estes, a capacidade de distinguir o bem do mal, o senso moral, o pensamento, a vontade, a consciência de que existem e de que constituem uma individualidade. Como corolário de tudo isto está a consciência. Quando Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, propõe a questão 621, atinge o Codificador o fulcro mais profundo e iluminado do Espírito. 621 - Onde está escrita a lei de Deus?
A resposta é, talvez, a mais importante de toda a história de cada filho de Deus: “Na consciência.” A pergunta e a resposta evidenciam a suprema importância da consciência. O fato de sabermos que a Lei Divina nos é inerente, que faz parte de cada Espírito imortal é o toque luminoso do despertar da própria Lei Divina em nós, o que equivale dizer, do despertar do Espírito. Tudo o mais decorre dessa descoberta. Quando Jesus enunciou “sois deuses”, (Jo10:34) assinalou o futuro da raça humana. Essa certeza que o Espiritismo proporciona é a maior contribuição para a plenitude do ser.
 O pensamento de Calderaro, instrutor de André Luiz, na obra, No Mundo Maior, resplandece: “O homem, para auxiliar o presente é obrigado a viver no futuro da raça.” (c.9) Jesus é o exemplo máximo, pois seu verbo é atemporal e permanece, ainda em nossos dias, aguardando que o ser humano desperte e alcance a mensagem universal que Ele legou para todos os tempos.
O Espiritismo, por sua vez, fala, igualmente,  adiante do tempo. Ao propor a questão 621, Kardec a faz com plena noção da resposta, pois a pergunta decorre, neste caso, não de desconhecimento ou dúvida, mas exatamente da certeza, visto que formulando-a ele demonstra a sabedoria que é apa - nágio de um Espírito avançadíssimo no conhecimento universal. Conceber a própria pergunta como prova isso. Pequenos somos nós, com nossos exíguos saberes. Entretanto, Espíritos de escol, como Allan Kardec, descem das grandezas espirituais, e, exatamente por serem superiores, abrem para nós as cortinas da Ciência do Infinito (LE introd. 13) e permitem que vislumbremos a vastidão cósmica que nos aguarda, no silêncio de Deus, a exprimir a magnificência de Suas Palavras inarticuladas. O despertar do Espírito, conforme os superiores conceitos de Joanna de Ângelis, (no livro de sua autoria espiritual intitulado O Despertar do Espírito) requer condições íntimas, a partir da própria carência que o ser humano identifique em si mesmo, levando-o a uma busca de respostas, de algo que preencha o vazio interior que o consome. Todavia, ainda ignoran - do o caminho para alcançar a paz, procura cercar-se de pessoas, de ruídos, de uma vida agitada e fútil, quando não envereda pela violência e agressividade, tentando assim resolver ou abafar seus conflitos interiores.
Só mais tarde, à custa de experiências amargas, descobrirá o que tanto almeja. “Viver é também uma experiência de morrer”, elucida a autora espiritual da obra que estamos analisando, “considerando-se a incessante transformação orgânica operada nas células e nos departamentos que conformam o corpo.” A noção da impermanência da vida física é fundamental para que ocorra a mudança de foco do sentido da vida, ao tempo em que o ser humano se reconheça como um Espírito imortal. “O redespertar para a beleza - prossegue Joanna -, deixando-se mimetizar pela sua contribuição de harmonia e de vida, somente é possível quando o Eu emerge e passa a comandar as atividades, tornando- -se a realidade dominante em todo o processo de transitoriedade .” (p.24) Oportuno ressaltar a palavra abalizada de Léon Denis, ao apresentar as necessidades irresistíveis do Espírito em evolução adiantada: necessidade de infinito, de justiça, de luz, necessidade de sondar todos os mistérios, de estancar a sede nos mananciais vivos e inexauríveis, cuja existência ele pressente; desejo de saber jamais satisfeito, sentimento do Belo e do Bem. (O Problema do Ser, do Destino e da Dor) A importante contribuição que a Doutrina Espírita propicia, avulta, nesse momento, por mergulhar nos ainda insondáveis arcanos do ser imortal, fazendo emergir para a claridade da vida a certeza das suas próprias potencialidades, capacitando-o para a vitória sobre o passado sombrio. “O ser psicológico é alguém em constante transformação para melhor, porquanto o Eu real é de natureza eterna e deve ser descoberto quanto preservado, por constituir- -se a meta essencial da existência terrena” - ensina Joanna de Ângelis - e, complementando, esclarece que o indivíduo “possui, mesmo que inconscientemente, o germe do sentido ético da existência da terrena.” (p.29) Em cada reencarnação o Espírito capitaliza os conhecimentos adquiridos, o que vale dizer, são experiências novas que se lhe incorporam, abrindo, lentamente, espaço para o que a autora espiritual denomina de “encontro com a verdade, com a Vida no seu sentido mais profundo, com a iluminação, a libertação de todos os atavismos e complexidades perturbadoras.” Abordando a questão do superconsciente, a mentora afirma ser este a área nobre do ser e fulcro da inspiração divina e elucida, em luminosos conceitos : “Sede física da alma reencarnada, responde pelos sutis processos da transformação dos instintos em inteligência, e dessa em angelitude, passo que será conquistado mediante esforço pessoal e intuição espiritual dos objetivos mais significativos do transcurso existencial pelo corpo físico. O superconsciente é também conhecido como Inconsciente superior, de onde dimanam as funções parapsíquicas superiores assim como as energias espirituais. (...) Tendo na epífise ou pineal o veículo para as manifestações psíquicas superiores, mediante exercícios mentais e morais amplia a capacidade de registro do mundo ultra- -sensível, que se exterioriza através dos equipamentos de alta potência energética de que se constitui. Por outro lado, é o celeiro do futuro do ser, por estar em ligação com o Psiquismo Cósmico, do qual recebe forças específicas para o desenvolvimento intelecto-moral, da afetividade, das expressões sexuais encarregadas da perpetuação da espécie, do equilíbrio da hereditariedade, de outros fenômenos que afetarão o comportamento psicológico.” (p.110) (grifo meu) Sendo perfectível, incessante é a trajetória do Espírito que, a partir do despertar espiritual não mais se acomoda e vislumbrando o futuro que descortina aos poucos, inicia o processo de autorealização, descobrindo em si, gradativamente, as potencialidades latentes em seu mundo interior. A palavra final é da autora espiritual, Joanna de Ângelis, que magistralmente conclui: “Vencer as sombras densas para alcançar a luz imarcescível; libertar-se das doenças e dos transtornos psicológicos; alargar a percepção da realidade, saindo da estreiteza dos limites em que se encarcera; diluir as barreiras do pensamento pessimista em favor do idealismo altruísta - eis a saga esplendorosa que deve ser encetada por todos os seres humanos que nascem como princípio inteligente e atingem a glória solar em êxtase de auto-realização e paz.”

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: (Artigo inspirado no livro O Despertar do Espírito, psicografado por Divaldo Franco, de autoria do Espírito Joanna de Ângelis)


Suely Caldas Shubert

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Quando alguém cair em erro

Quando alguém cair em erro, estendamos os braços em socorro do irmão equivocado, evitando a crítica que apenas o precipita a quedas ainda maiores. Lembremos que amanhã poderá ser a nossa vez de cair também.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Vale a pena viver…

Vale a pena viver…

(A ilusão do suicídio)

No dia 10 de Setembro de 2016, comemorou-se o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, data assinalada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Numa época em que o Homem perdeu a noção de Deus, da espiritualidade, perante os múltiplos problemas existenciais, desesperado, vê-se sem saída.

Desconhecendo a realidade da vida para além da morte do corpo de carne, adentra-se na mais terrível aventura que pode cometer – o suicídio.

A perda da vontade de viver pode ter várias causas, endógenas e / ou exógenas ao ser humano. No entanto, com um apoio psicológico, apoio de amigos, partilhando as suas dificuldades com alguém da sua confiança, tudo fica mais fácil.

O conhecimento da vida espiritual, hoje, mais arejado e longe da crença cega das religiões tradicionais, ajuda o Homem a entender a Vida por outro prisma.

Até 1857, altura em que apareceu a ideia espírita (que não é mais uma religião nem mais uma seita), com o lançamento do monumental livro de Allan Kardec, intitulado “O Livro dos Espíritos”, acreditava-se de uma maneira ou de outra, na vida além-túmulo.

Com o aparecimento da Doutrina Espírita, a morte morreu, foi provado cientificamente a imortalidade do Espírito, através das comunicações espirituais, utilizando-se o método científico ainda hoje vigente na Terra.

O Espiritismo, como ciência de observação e
filosofia de vida, traz consequências morais
de grande impacto na Sociedade

O maior impacto que o Espiritismo traz à Sociedade é a demonstração de que, afinal, com o suicídio… nada acaba!

A vida continua no mundo espiritual, noutro patamar energético, onde o ser espiritual (o Homem) continua com os problemas que o levaram a este acto, agravado pelo fato de se consciencializar da inocuidade da sua atitude, mergulhando em sentimentos de culpa, remorsos, sofrimentos inenarráveis, a repercutirem-se inevitavelmente nas reencarnações seguintes.

O fato de dizermos que não acreditamos nas vidas sucessivas (reencarnação) ou na imortalidade do Espírito não nos retira do palco imortal da Vida, quer queiramos, quer não.

A Física quântica matou de vez o Materialismo, informando que a matéria não existe, existindo, sim, apenas energia, em vários estados, mais ou menos grosseiros ou diáfanos. Nós, terrenos, encontramo-nos, assim, num mundo, onde essa energia se encontra ainda “coagulada, condensada”, aquilo a que chamamos matéria.

A imortalidade do Espírito, através das diárias manifestações espirituais, através de médiuns em todo o mundo, é hoje uma evidência científica, que os múltiplos cientistas têm vindo a comprovar, repetindo as experiências de Allan Kardec e confirmando-as.

Se, porventura, você se encontra neste dilema existencial, dê a si próprio mais um mês de vida, solicite informação, ajuda num centro espírita perto de si (onde não existe pagamento nem aceitação de dinheiro), percebendo por que vivemos, de onde viemos, para onde vamos após o decesso do corpo físico, e qual o objetivo da Vida.

O Espiritismo é a filosofia de vida que se apresenta como o maior preservativo contra o suicídio, e aqueles que o cometeram comunicam-se nos centros espíritas, implorando para que nós, que ainda estamos neste lado da vida, não o façamos.

As consequências são dolorosas, podendo estender-se por centenas de anos, com reencarnações expiatórias e difíceis pelo meio, variando de acordo com o grau de lucidez e responsabilidade do suicida.

Não existe aqui castigo de Deus, mas apenas uma decorrência de uma lei natural, onde cada um colhe, na Vida, o fruto dos seus sentimentos, pensamentos e atitudes, até que um dia, em equilíbrio, atinja o estado de Espírito puro.

Será boa ideia, caro amigo, caso o suicídio lhe passe pela cabeça, ler, antes de cometer esse tresloucado ato, para além do livro acima citado, o livro Memórias de um Suicida, ditado pelo Espírito (suicida) de Camilo Castelo Branco, através da médium Yvonne do Amaral Pereira (pode adquiri-lo on-line em www.feportuguesa.pt).

“Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei” é uma frase que sintetiza muito bem o pensamento espírita.

José Lucas


A calma que se precisa

O momento decisivo da evolução humana pede persistência, coragem, mas também calma.

Se pensarmos no alcance no final da conhecida expressão de Jesus: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei, podemos ampliar seu entendimento e entender seu divino convite.

Afinal o "como eu vos amei", como devemos entender?

Como é que Ele nos amou?

Em boa síntese didática-educativa, podemos entender que:

a) Ele sempre respeitou nossa posição evolutiva. Tanto que sempre valorizava quem dele sem aproximava. Às diferentes personalidades que o procuraram, da mulher adúltera ao doutor da lei, respeitou-lhes o estágio moral.

b) Nada pediu em troca pelos inúmeros benefícios que trouxe à humanidade. Isso é uma demonstração de amor. Ama e porque ama ampara, consola, conforta, orienta; Nada exigiu, aguarda nosso despertar.

c) Importou-se conosco. Esse importar-se conosco foi demonstrado na prática pelas expressivas manifestações de entendimento de nossa precária condição evolutiva, estendendo-nos seu divino amparo e orientação.

Daí a recomendação fraterna: "Amai-vos uns aos outros". Mas apresentou também a proposta de como fazê-lo, acrescentando o "como eu vos amei". Até porque - e hoje entendemos com mais exatidão - ele é o Modelo e Guia, referência mais alta que possuímos no planeta para seguir e nos esforçarmos como exemplo para incorporarmos ao comportamento.

Essa adoção de postura no comportamento é capaz de vencer obstáculos, extinguir contendas e dispensar mágoas, ressentimentos ou sentimento de vingança ou mesmo temores infundados, uma vez que estamos todos protegidos por sua grandeza e bondade.

É a calma, a resignação ativa, que trabalha, compreende e encontra outros caminhos que sejam de paz para superação dos imensos desafios da atualidade.

Orson Peter Carrara

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Contempla mais longe

Contempla mais longe
Para o esquimó, o céu é um continente de gelo, sustentado a focas.
Para o selvagem da floresta, não há outro paraíso, além da caça abundante.
Para o homem da religião sectária, a glória de além-túmulo pertence exclusivamente a ele e aos que se lhe afeiçoam.`
Para o sábio, este mundo e os círculos celestias que o rodeiam são pequeninos departamentos do Universo.
Transfere a observaçao para teu campo de experiência diária e não olvides que as situações externas serão retratadas em teu plano interior, segundo o material de reflexão que acolhes na cosciência.
Se perseverares na cólera, todas as forças em torno te parecerão iradas.
Se preferes a tristeza, anotarás o desalento, em cada trecho do caminho.
Se duvidas de ti próprio, ninguém confia em teu esforço.
Se habituaste às perturbações e aos atritos, dificilmente saberás viver em paz contigo mesmo.
Respirarás na zona superior ou inferior, torturada ou tranqüila, em que colocas a própria mente. E, dentro da organização na qual te comprazes, viverás com gênios que invocas. Se te deténs no repouso, poderás adquiri-lo em todos os tons e matizes, e, se te fixares no trabalho, encontrarás mil recursos diferentes de servir.
Em torno de teus passos, a paisagem que te abriga será sempre em tua apreciação aquilo que pensas dela, porque com a mesma medida que aplicares à Natureza, obra viva de Deus, a Natureza igualmente te medirá!

Emmanuel

terça-feira, 29 de agosto de 2017

BEZERRA DE MENEZES O KARDEC BRASILEIRO

Eva Patrícia Baptista (graduada do curso médico).

Estudo sobre o grande médico e espírita, denominado o “Kardec brasileiro”, apresentado em palestra no NEU-UERJ/Faculdade de Ciências Médicas em outubro de 1999. Escolhemos para falar hoje não só por ele ter sido médico e espírita, mas principalmente pela sua vida na Terra ter sido um modelo.

Adolfo Bezerra de Menezes foi conhecido em seu tempo com o Médico dos Pobres. Isto porque ele fazia mais do que ouvir o paciente e prescrever um receituário com remédios homeopáticos (ele foi um médico homeopata). Ele sofria também com o sofrimento de seus pacientes. Era todo amor e bondade, alimentava sempre o desejo de ser útil e procurava a todo instante arrancar de seu interior os maus instintos naturais e substituí-los pelas virtudes cristãs. Uma vez escreveu sobre a maneira de proceder do verdadeiro médico, dizendo: O médico verdadeiro não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto. O que não atende por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou pôr ser alta noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe, ou no morro; o que, sobretudo pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem chora à porta que procure outro - esse não é médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura (...). 1,2 E realmente, Bezerra foi capaz de demonstrar na sua vida que realmente praticava seus ideais de amor cristão para com seus semelhantes. Conta-se que numa tarde, depois de haver vivido um dia cheio na sua tarefa crista, em que consolou e esclareceu, medicou e apaziguou infinidades de irmãos, chegou ao Lar sentindo-se cansado e preocupado, tanto mais que sua filha Evangelina, apelidada de Nhanhan, achava-se febril, abatida, desassossegada. Descansa, depois de haver tomado seu banho e jantado, quando, à sua porta chega uma senhora aflita e lhe pede, entre soluços, em nome de Jesus, para ir ver sua filhinha que se achava febril, abatida, desassossegada. Bezerra se comove com as lágrimas maternais. Pensa na sua filha também doente, a quem dera assistência e de cuja enfermidade não encontrava a causa. Sente-se também cansado e com as pernas inchadas. Mas a irmã a sua frente era uma estátua viva de dor e aflição e o chamava em nome de Jesus! Não podia desatendê-la. E diz para sua querida esposa, que o observava atenta e também aflita, procurando adivinhar sua solução e pedindo-lhe, pelo olhar, que não fosse: - Minha filha ficará sob os cuidados de Jesus. E, em Seu nome, vou cuidar de outra filha. Até já. E segue com a mãe aflitiva. Sobe e desce morros. Depois de caminhada exaustiva, chega. Realiza sua tarefa, medicando a doentinha, dando-lhe passes, receitando-lhe alguns medicamentos e colocando-lhe à mesa algum dinheiro. E sai, deixando a doente melhor e a mãe consolada e agradecida, a dizer-lhe: Vá com Deus, Doutor Bezerra! Que Deus lhe pague o bem que me fez! Que possa encontrar sua filha melhor!

Chega ao lar tarde da noite. Encontra tudo aquietado. E, receoso, pensando haver a filha piorada e até desencarnado, entra às pressas. E encontra a esposa dormindo numa cama, e, noutra, sua Filha também dormindo e sem febre... Ali mesmo, em silêncio, ajoelha a alma e agradece ao Divino Mestre por lhe haver sentido o testemunho e medicado a filha, aquela que, mais tarde, em plena primavera de seus 18 anos, seria chamada à espiritualidade para ser, de mais alto, seu anjo e seu estímulo. Podemos ver que Bezerra de Menezes era mais do que um simples médico chegando-se mesmo a pensar se as curas que operava se deviam aos remédios homeopáticos que ministrava ou eram resultados dos fluidos energéticos de amor que emanavam a todo instante de sua alma. Ele receitava pelos lábios e pela pena. Pelos lábios: conselhos, vestidos de emoção e ternura, acordando no consulente o Cristão que dormia; pela pena, homeopatia, água fluídica e passes. E finalizava pedindo que cada um tivesse às mãos, no lar, o Grande Livro, o Evangelho Segundo o Espiritismo, que o lesse com alma, com sinceridade e confiança no seu Autor, Jesus Cristo! E como os resultados eram promissores, cada doente deixava seu consultório satisfeito, melhorado, pois que havia deixado lá dentro o seu peso, a sua tristeza, algo que o oprimia. 

Escreveu-nos uma vez Joaquim Murtinho também médico homeopata e operador de muitas curas maravilhosas: os ensinamentos da fé constituem receituário permanente para a cura positiva as antigas enfermidades que acompanham a alma, século trás século (...) Se o homem compreendesse que a saúde do corpo é reflexa da harmonia espiritual, e se pudesse abranger a complexidade dos fenômenos íntimos que o aguardam além da morte, certo que se consagraria à vida simples, com trabalho ativo e a fraternidade legítima por normas de verdadeira felicidade. 

De uma feita, um pai de família pede-lhe, chorando, um óbolo, uma ajuda em dinheiro para enterrar o corpo de sua esposa, que desencarnara, deixando-lhe os filhos menores doentes e famintos. Bezerra procura algo nos bolsos e nada encontra. Comove-se e, por intuição, desapegado das coisas materiais, tira do dedo o anel simbólico de Médico e o entrega ao irmão necessitado, dizendo-lhe, com carinho e humildade: Venda-o e, com o dinheiro, enterre o corpo de sua mulher e compre o que precisa. 

Certa feita, acabada a sessão espírita, descera Bezerra de Menezes ainda emocionado, as escadas da Federação Espírita Brasileira, quando localizou um irmão, de seus 45 anos, cabelos em desalinho, com a roupa suja e amarrotada. Os dois se olharam, Bezerra compreendeu logo que ali estava um caso todo particular para ele resolver. Oh! Bendito os que têm olhos no coração! E Bezerra os tinha e os tem. E levou o desconhecido para um canto e lhe ouviu, com atenção, o desabafo, o pedido: - Doutor Bezerra, estou sem emprego, com a mulher e dois filhos doentes e famintos... E eu mesmo, como vê, estou sem alimento e febril! Bezerra, apiedado, verificou se ainda tinha algum dinheiro. Nada encontrou nos bolsos. Apenas a passagem do bonde... Tornou-se mais apiedado e apreensivo. Levantou os olhos já molhados de pranto para o alto e, numa prece muda, pediu inspiração a Maria Santíssima, seu anjo tutelar e solucionador de seus problemas. Depois, virando-se para o Irmão: - Meus filhos, você tem fé em Nossa Senhora, a Mãe do Divino Mestre, a nossa Mãe Querida? - Tenho e muita Doutor Bezerra! - Pois, então, em Seu Santíssimo Nome, receba este abraço.

E abraçou o desesperado Irmão, envolvente e demoradamente. E, despedindo-se, disse: - Vá, meu filho, na Paz de Jesus e sob a proteção do Anjo da Humanidade. E, em seu lar, faça o mesmo com todos os seus familiares, abraçando-os, afagando-os. E confie Nela, no amor da Rainha do Céu, que seu caso há de ser resolvido. Bezerra partira. A caminho do lar, meditava: teria comprido seu dever, será que possibilitara ajuda ao irmão em prova, faminto e doente? E arrependia-se por não lhe haver dado senão um abraço. Não possuía nenhum dinheiro. O próprio anel de grau já não estava nos seus dedos. Tudo havia dado. Não tendo dinheiro, dera algo de si mesmo, vibrações, bom ânimo, moeda da alma, ao irmão sofredor e não tinha certeza de que isso lhe bastara... E, neste estado de espírito, preocupado pela sorte de um seu semelhante, chegou ao lar. Uma semana passara-se. Bezerra não se recordava mais do sucedido. Muitos eram os problemas alheiros. Após a sessão de outra terça-feira, descia as escadas da FEB. Alguém no mesmo lugar da escada, trazendo na fisionomia toda a emoção do agradecimento, toca-lhe o braço e lhe diz: - Venho agradecer-lhe, Doutor Bezerra, o abraço milagroso que me deu na semana passada, neste local e nesta mesma hora. Daqui saí logo me sentindo melhor. Em casa, cumpri seu pedido e abracei minha mulher e meus filhos. Na linguagem do coração, oramos todos à Mãe do Céu. Na água que bebemos e demos aos familiares, parece, continha alimento. Pois dormimos todos bem. No dia seguinte, estávamos sem febre e como que alimentados... E veio-me a inspiração, guiando-me a uma porta, que se abriu e alguém por ela saiu, ouviu meu problema, condoeu-se de mim e me deu um emprego, no qual estou até hoje. E venho lhe agradecer a grande dádiva que o senhor me deu, arrancada de si mesmo, maior e melhor do que dinheiro! O ambiente era tocante! Lágrimas caíam tanto dos olhos de Bezerra como do irmão beneficiado e desconhecido. E numa prece muda, de dois corações unidos, numa mesma força gratulatória, subiu aos Céus, louvando Aquela que é, em verdade, a porta de nossas esperanças, a Mãe Sublime de todas as mães, a advogada querida de todas as nossas causas! Louvado seja Maria Santíssima! Bezerra de Menezes foi um grande devoto de Maria Santíssima, a qual atendia sempre a seus divinos pedidos. 

Na verdade, Bezerra não foi espírita desde que nasceu. Nascera em família afortunada e católica, a 29 de agosto de 1831, em Riacho do Sangue, na Província do Ceará. Cresceu em clima de severa dignidade, respeito e religiosidade. Devido à sua prestimosa inteligência, inerente a todos os espíritos superiores, distinguiu-se nos estudos desde cedo, sendo sempre o 1º aluno de sua classe. Em 5 de fevereiro de 1851, quando contava com 19 anos de idade, transferiu-se para a Corte (atual Rio de Janeiro) para fazer seu curso médico. Nesta época seu pai, homem de bom coração havia perdido a sua fortuna e não pode ajudar seu filho financeiramente em seus estudos. Foi através de lutas, privações e renúncias aos prazeres ilusórios do mundo, que Bezerra conseguiu, em 1856, doutorar-se em Medicina. Para custear seus estudos e a subsistência própria, Bezerra de Menezes lecionava. 

Numa ocasião em que se achavam totalmente esgotados os recursos, de par com a urgência de pagar o aluguel da casa e acudir a outras necessidades inadiáveis, reclinado em sua rede, sem grandes sobressaltos, mas seriamente preocupado com a solução do caso, dava tratos à imaginação, em procura dos meios com que sair da dificuldade, quando ouve bater à porta. Era um desconhecido, que vinha nominalmente procurá-lo, e que, depois, ajustando um certo número de lições de determinadas matérias, tira do bolso um maço de células e paga antecipadamente o preço convencionado, ficando igualmente combinado para o dia seguinte o início das aulas. Bezerra reluta em receber a importância adiantada. Por fim, lembrando-se de sua situação, resolve aceitá-la. Radiante com a inesperada e providencial visita, Bezerra de Menezes solveu os seus compromissos e ficou a esperar, no prazo estipulado, o novo aluno. Mas nem no dia seguinte nem nunca mais lhe tornou este a aparecer. Foi, pois, uma visita mais misteriosa. Intervenções da mesma natureza, posto que não revestidas de cunho misterioso idêntico, se haviam de reproduzir no curso de sua vida, quando, em mais de uma ocasião, faltando-lhe o necessário para as despesas indispensáveis, longe de se perturbar, sentava-se à mesa de trabalho e punha-se tranqüilamente a escrever. Aparecia-lhe sempre um consulente que, atendido, lhe deixava os recursos de que necessitava e que, com serena confiança na Providência Divina, tinha certeza de que lhe não faltariam.

Casou-se em 6 de novembro de 1858, aos 27 anos, com D. Maria Cândida de Lacerda, pertencente a ilustre família. No fim de 4 anos, sua mulher desencarna, deixando-lhe dois filhos, um de 3 anos e outro de 1 ano. Este fato produziu em Bezerra um abalo físico e moral. 

Todas as glórias mundanas que havia conquistado tornaram-se aborrecidas. Não tinha mais prazer de ler e escrever, suas duas maiores distrações e nada encontrava que lhe fosse lenitivo à tamanha dor. É porque Bezerra, quando na Faculdade, na convivência de seus colegas, na maioria ateus, esquecera-se da sua crença católica que não fora firmada em uma fé raciocinada. Apesar disso, continuava a crer em dois pontos da religião católica: a crença em Deus e a existência da alma. 

Um dia, um amigo seu lhe trouxe um exemplar da Bíblia, traduzido pelo padre Pereira de Figueiredo. Bezerra tomou o livro sem o intuito de lê-lo, mas folheando-o começou a ler e esqueceu-se nesta tarefa. Leu toda a Bíblia e percebeu que algo de estranho se passava em seu interior. Quando acabou, tinha a necessidade de crer novamente, mas não nesta crença imposta à fé, mas numa outra firmada na razão e na consciência. Atirou-se então à leitura dos livros sagrados, com ardor e sede. Mas havia sempre uma falha a que seu espírito reclamava.

Começaram a aparecer às primeiras notas espíritas no Rio de Janeiro. E, apesar de ouvir sobre esta nova Doutrina, Bezerra repelia-a sem conhecê-la, pois temia que ela perturbasse a paz que lhe trouxera ao espírito a sua volta à religião. Um dia, porém, seu colega Dr. Joaquim Carlos Travassos, tendo traduzido o Livro dos Espíritos de Allan Kardec, presenteou-o com este livro. E tal como acontecera com a Bíblia, prendeu-se neste livro, lendo-o todo. Operou-se nele um fenômeno estranho. Ele sabia que nunca havia lido qualquer obra espírita, no entanto, tudo o que lia não era novo para seu espírito. Ele sentia como se já tivesse lido e ouvido tudo aquilo. São as lembranças da alma. Foi assim que Bezerra de Menezes tornou-se espírita. No entanto, assim com Allan Kardec com seu espírito crítico e observador não se deu logo a acreditar em todos os fenômenos ditos espíritas e iniciou, intimamente uma pesquisa experimental para comprovar os preceitos desta nova doutrina. Foi assim que surgiram em sua vida 3 casos que o surpreenderam muito. 

Vou relatar aquele que mais o impressionou e que, como ele mesmo relatou, se ainda fosse incrédulo, não poderia resistir à impressão que deixou em si semelhante fato. Eu estava em tratamento com o médium receitista Gonçalves do Nascimento, e este costumava mandar-me os vidros, logo que eu acabava uma prescrição, por um primo meu, estudante de preparatórios, que morava em minha casa, na Tijuca, à uma hora de viagem da cidade. Meu primo costumava, sempre que me trazia os remédios (homeopáticos) da casa do Nascimento, entregar-me os vidros em mão, e nunca, durante 3 meses que já durava meu tratamento, me trouxe do médium recado por escrito, senão simplesmente os vidros de remédios, tendo no rótulo a indicação do modo pelo qual devia ser tomado. Um dia, deixei de ir à Câmara dos Deputados, de que fazia parte, e, pelas duas horas de tarde, passeava, na varanda, lendo uma obra que me tinha chegado à mãos, quando me apareceu um vizinho, o Sr. Andrade Pinheiro, filho do Presidente da Relação de Lisboa, e moço de inteligência bem cultivada. O Senhor Pinheiro não conhecia o Espiritismo, senão de conversa, e como eu fazia experiência em mim, ele aproveitava a minha experiência, para fazer juízo sobre a verdade ou falsidade da nova Doutrina. Depois dos primeiros cumprimentos, perguntou-me como ia eu com o tratamento espírita. Respondi-lhe com estas palavras: Estou bom; sinto apenas uma dorzinha nos quadris e uma fraqueza nas coxas, como quem está cansado de andar muito. Conversamos sobre o fato de minha cura em três meses, quando nada alcancei com a medicina oficial, em cinco anos, e passamos a outros assuntos, até que, uma hora pouco mais ou menos depois, entrou meu primo com os vidros de remédios e com um bilhete, escrito a lápis, que me mandava Nascimento, e que dizia: Não, meu amigo, não estás bom como pensas. Esta dor nos quadris, que acusas. Esta fraqueza das coxas são as provas de que a moléstia não está de todo debelada. És médico e sabes que muitas vezes elas parecem combatidas, mas fazem erupções, porventura perigosas. Tua vida é necessária; continua teu tratamento. É fácil compreender a surpresa, a admiração, o abalo profundo que se produziu na minha alma um fato tão fora de tudo o que tinha visto em minha vida. Repetiram-se, da cidade, textualmente, as minhas palavras, como só poderia fazer quem estivesse ao alcance de ouvi-las! Efetivamente, calculado o tempo que leva o bonde da casa do Nascimento à minha, reconhecemos, eu e Pinheiro, que aquela resposta me fora dada na cidade, precisamente à hora em que eu respondia, na Tijuca, à interpelação de meu visitante. A data de 16 de agosto de 1866 tornou-se memorável na História do Espiritismo no Brasil, por um acontecimento que, nos meios políticos, religiosos e médicos, ecoou de maneira estrondosa, causando mesmo surpresa e desapontamento para muitos, principalmente para os da classe médica. É que, numa das costumeiras tertúlias que então se realizavam no grande salão da Guarda Velha, em que compareceram cerca de 2 mil pessoas da melhor sociedade, Bezerra de Menezes, então presente, pedindo a palavra, proclamou solenemente a sua adesão ao Espiritismo. Essa sua filiação à nova corrente religiosa foi como uma transfusão de sangue novo para a Doutrina no Brasil, a qual daí por diante entrou em ritmo mais acelerado. Em 1895, em meio a divergências havidas na FEB, e como obteve a maioria absoluta dos votos, Bezerra de Menezes tornou posse da presidência da FEB. Durante toda a sua presidência (1895- 1900) trabalhou ativamente e com muito ardor no propósito de congraçar os espiritistas, e jamais esmoreceu na luta a bem da unificação geral, mantendo campanha sistemática em favor do estudo da nossa Doutrina e, sobretudo, seja pela palavra falada, seja pela palavra escrita, mostrava a completa, integral interdependência do Espiritismo e do Evangelho. Dizia mesmo que a pedra fundamental do Espiritismo, em sua pura concepção, era o Evangelho. Sem ele a Terceira Revelação não subsistiria e jamais se agigantaria nas consciências humanas. Não obstante sua mansuetude, seu espírito fraternista, por excelência, pronta e decididamente saía à liça, como um leão, quando o Espiritismo era atacado, disposto a derrubar o inimigo, com as armas de sua inteligência, de sua dialética, de seus conhecimentos e de sua indômita coragem. Bezerra era um profundo conhecedor das ciências da vida e um filósofo por excelência. Nessas lutas, pouco se lhe dava que seus contendores ocupassem altos postos na política ou na administração pública, que gozassem do maior prestígio dos poderosos. Colocava, acima de seus interesses pessoais, a defesa do Espiritismo, desde que ela se fizesse necessária.

Foi por este motivo que Bezerra de Menezes foi também intitulado de Kardec Brasileiro, porque foi ele, quem realmente no Brasil, estava preparado para difundir o Espiritismo pela inteligência, pela persuasão, pelos atos e, sobretudo, pelos exemplos edificantes. Bezerra de Menezes também teve vida política. Foi vereador, deputado geral e até Presidente da Câmara Municipal. Durante 20 anos que esteve envolvido com a política, Bezerra foi muito querido e odiado. Prestou relevantes serviços ao município que o elegera e conquistou os foros de inteligente, ilustrado, ativo e honesto. Em 21 de janeiro de 1865 casa-se novamente com a Sra. D. Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã materna de sua 1a mulher, e com quem teve 7 filhos. 

Bezerra de Menezes não fora, como alguns de seus admiradores supõem, um despreocupado com o dia de amanhã, com a assistência à família, com o futuro dos seus queridos entes familiares. Sabia, como poucos, ater-se à disciplina do necessário, a desprezar o supérfluo, a não se apegar às coisas materiais. Aceitava o pagamento dos clientes que lhe podiam pagar e dava aos pobres e estropiados o que podia dar, inclusive algo de si mesmo. Sua família jamais passou necessidade. Todos seus familiares lhe tiveram a assistência permanente e o alimento espiritual de sus bons exemplos. Preocupava-se com o futuro de seu Espírito e dos Espíritos daqueles que o Pai lhe confiou. E tudo corria bem, as dívidas eram pagas pontualmente, nenhum compromisso deixava de ser cumprido, os filhos eram educados cristãmente. Jesus morava em seu lar e dentro de seu coração e dos corações de seus queridos entes familiares, norteando-lhes a existência e fazendo-a vitoriosa. 

Numa manhã, no entanto, houve no lar uma apreensão. A dispensa estava vazia, sem víveres para o jantar. Na véspera, Bezerra havia restituído a importância das consultas aos seus clientes pobres, porque, por intuição, compreendera que apenas possuíam o necessário para a compra dos medicamentos. Junto à esposa, ciente e consciente da situação, ficara a pensar. Vestira e saíra, consolando a querida companheira e dizendo-lhe: - Não se preocupe, nada nos faltará, confiemos em Deus! Ao regressar, à tardinha, encontra a esposa surpresa e um pouco agastada, que lhe diz: - Por que tamanho gasto! Não precisava preocupar-se tanto, comprando alimentos demais e que podem estragar-se.. - Mas, que aconteceu? 

- Logo assim que você saiu, explica-lhe a esposa, recebemos uma carroça de alimentos... E, levando-o à despensa, mostrou-lhe o sacos, os embrulhos, os amarrados de víveres, que recebera. Bezerra olhou para tudo aquilo e emocionou-se! Nada comprara e quem então lhe teria enviados tão grande dádiva se não Deus, através de seus bondosos filhos! E, abraçado à querida consorte, refugiou-se a um canto da casa para a prece de agradecimento ao Pai de Amor, que lhe vitoriava a Missão, confirmando-lhe o ideal cristão e como a lhe dizer: - Por preocupar-se tanto como o próximo, com todos meus filhos, eu preocupo-me com você e todos os seus, também meus filhos! Em plena doença, com o corpo inchado, vítima de congestão cerebral, ainda hemiplégico, atendia aos seus inúmeros doentes que o visitavam, enviando-lhe no aceno das mãos, no sorriso dos lábios ou pelo olhar manso e bom, consolações e testemunhos de confiança na Virgem Santíssima! Foram cerca de quatro longos meses de sofrimentos atrozes, de sublimes testemunhos, em modestíssimo e desguarnecido quarto de sua residência humilde, pois o impacto produzido por esse mal violentíssimo o privara de qualquer movimento e da própria fala. Apenas seus lindos olhos verdes se moviam e falavam naquela linguagem misteriosa da expressão nascida da pureza de seu coração e da grandeza extraordinária de sua fé de apóstolo. 

Bezerra fez questão de que os remédios fossem prescritos pelas entidades espirituais, e de receber passes mediúnicos, indo os médiuns à sua residência, para esse fim caridoso. A miséria passara a residir em seu lar, e faltar-lhe-iam a própria alimentação e os remédios para amenizarem o seu grande martirológio físico, não fossem os corações bondosos e agradecidos que, em verdadeira romaria, afluíam dia e noite de seu calvário, para levar-lhe a sua solidariedade e o testemunho de seu reconhecimento, postando-se, um de cada vez, diante de seu leito, enquanto ele, com os olhos lacrimosos, agradecia, assim, através dessas lágrimas, que eram realmente a palavra de sua alma, a voz de seu sentimento. E essas almas generosas, amigas e agradecidas, que dele tantos e tantos benefícios haviam recebido, sigilosamente iam deixando, sem que disso ele se apercebesse, desde a moedinha da espórtula da viúva, como nos fala o Evangelho, até as cédulas de vários valores, debaixo do travesseiro em que ele descansava a cabeça de apóstolo do Evangelho em espírito e em verdade.

No dia 11 de abril de 1900, sentindo que se aproximava a hora de seu decesso, pediu que o ajudassem a levantar-se um pouco e, com a cabeça erguida, olhos voltados para o Alto, assim orou, baixinho e entra lágrimas, deixando-as suas últimas palavras como a Lição permanente da sua grandeza Espiritual, de seu Espírito totalmente libertado dos vícios e ligado à causa cristã: Virgem Santíssima, Rainha do Céu, Advogada de nossas súplicas junto ao Divino Mestre e a Deus todo poderoso, eu te peço não que deixe de sofrer, mas que meu pobre espírito aproveite bem todo o sofrimento e te peço pelos meus irmãos que ficam, por esses pobres amigos, doentes do corpo e da alma, que aqui vieram buscar no teu humilde servo uma migalha de conforto e de amor. Assiste-os, por caridade, dá-lhes, Senhora, a tua Paz, a Paz do Cordeiro de Deus que tira os pecados do Mundo, Nosso Senhor Jesus Cristo! Louvado seja Teu nome! Louvado seja o Nome de Jesus! Louvado seja Deus! E desencarnou! 

Gente de toda a cidade do Rio, especialmente dos morros, das favelas, gente humilde, descalça, maltrapilha, os pobres de espírito, os humildes de coração, beneficiados pela Medicina do seu amor, ali se achavam em mistura com outra gente rica e poderosa, pertencente ao mundo oficial do Governo. 

Na noite de 12 de abril de 1900, às sete horas, houve a habitual sessão comemorativa da Ceia do Senhor, na FEB. Todos que ali estavam ouviram, pela maravilhosa mediunidade de Frederico Pereira da Silva Júnior, a palavra querida do Espírito do nosso Bezerra de Menezes. Sua mensagem foi longa, e nela mais de uma vez, humildemente, agradeceu a Deus, a Jesus e a Virgem Santíssima as bênçãos divinas que misericordiamente recebia na pátria espiritual, dizendo: Baixai vossos olhos sobre os meus amigos! São também vossos filhinhos, como eu, que aflito gemi e padeci na Terra, sempre com os olhos cravados em vós. Dai que eles possam compreender, ó Virgem Imaculada(...), esse amai-vos uns aos outros, certos, convencidos de que o amor que desdobrarem das suas almas, para os seus irmãos, evola-se, libra-se aos paramos onde está o vosso amado Filho, é o amor elevadíssimo que nos vem com Jesus.(...) Obrigado a todos vocês. 

Bezerra estará sempre unido aos vossos corações. 

Bezerra pede a Deus, e Deus há de permitir que ele continue a trabalhar, a produzir a seara bendita.

No dia 11 de abril de 1950, ocorre no plano espiritual uma reunião para homenagear os 50 anos de desenlace do Doutor Bezerra de Menezes. Chico Xavier foi um dos convidados. Bezerra achava-se naquele ambiente de luz e emoção, sinceridade e gratidão e vivendo com grande emoção aqueles momentos em que recordava dos 69 anos vividos na Terra como o Médico dos Pobres, o Irmão dos sofredores, o Discípulo humilde e sincero de Jesus e o Kardec Brasileiro. De repente, sob a surpresa dos que compunham a grande assembléia, de mais Alto, uma Estrela luminescente dá presença. Era Celina, a enviada da Virgem Santíssima, que chega e lê a sua mensagem, promovendo Bezerra a uma Tarefa Maior e numa Esfera mais Alta. O Evangelizador Espírita chora emocionadíssimo e ajoelha-se agradecendo entre lágrimas, à Mãe das Mães a graça recebida, suplicando-lhe, por intermédio de sua enviada sublime, para ficar no seu humilde Posto, junto à Terra, a fim de continuar atendendo aos pedidos de seus irmãos terrestres que tantas provas lhe dão de estima e gratidão. O espírito luminoso de Celina sobe às esferas elevadas donde veio e se dirige aos pés da Mãe Celestial, submetendo à sua apreciação o pedido de seu servo agradecido. Daí a instantes, volta e traz a resposta de Nossa Senhora: - Que sim, que Bezerra ficasse no seu Posto o tempo que quisesse e sempre sob suas bênçãos! E da Terra e do Além partem vozes em Prece!

Bezerra de Menezes que, na Terra, foi o extraordinário arauto do Evangelho, simbolizado na sua fé, na sua ação, no seu trabalho, no seu amor, nos seus pensamentos e na sublime caridade que praticava sempre em todas as horas de seu viver, continua ainda nas etéreas regiões, por intermédio dos mais diversos médiuns existentes em todo o Brasil, distribuindo as flores mais belas e mais viçosas, nascidas de seu coração aos que sofrem, gemem, choram e desesperam, em virtude de seus padecimentos físicos e morais.

É o caso de Deolindo Amorim que em carta dirigida a Ramiro Gama dá seu depoimento sobre o acontecimento extraordinário que acontecera em seu lar. Costumava freqüentar uma sessão mediúnica, dirigida pelo coronel Antônio Barbosa da Paixão (um dos primeiros espíritas, que conheci no Rio de Janeiro), muito próxima da pensão onde eu morava. Certa noite, ao deixar a sessão em casa do coronel, ainda sob os efeitos do bom ambiente que eu levara do Centro, bem calmo e confortado, cheguei em casa tarde da noite e encontrei minha filha mais velha que tinha apenas 1 ano com dores fortes, sem dormir, chorando muito, apresentando contorções um tanto esquisitas. Minha mulher, com a menina nos braços, não conseguia melhorar a situação. Quando vi o quadro, lembrei-me logo de fazer uma prece e pedir auxílio do Espírito de Bezerra de Menezes, que já me beneficiou mais de uma vez, em circunstâncias especiais. Como eu estava sob influência de ambiente sadio da sessão mediúnica, havia uma predisposição psicológica para o ato da prece. Então, deitei-me naturalmente, como se fosse dormir, e fiz sinal a minha mulher que ficasse onde estava, com a menina nos braços, enquanto eu fazia a prece, comecei a sentir uma espécie de frio na mão direita e, deitado mesmo, ainda com os olhos fechados, apliquei o passe. Fi-lo com toda a confiança, porque já estava sentindo as irradiações desse bondoso Espírito. Resultado: à medida que aplicava o passe, de lá, da cama onde estava, pois a menina continuava distante, no quarto, ela ia ficando calma, ia deixando de chorar e, por fim, quando terminei o passe, com a prece, a menina já estava dormindo. Minha mulher pô-la no berço, tudo voltou ao estado de calma e, no dia seguinte, a criança amanheceu rindo, como sempre, como se nada houvesse acontecido antes. Senti, aí, mais uma vez, pois tenho várias experiências pessoais, o poderoso recurso da prece, como também senti a vibração caridosa desse espírito iluminado, que se chamou, entre nós, Adolfo Bezerra de Menezes. As mensagens de Bezerra transmitidas por diferentes médiuns, fazem-nos sentir que o Espiritismo é a força propulsora das verdades eternas, reerguendo-nos do lodaçal de nossos vícios e misérias. Bezerra de Menezes é para todos os que mourejam em terra do Coração do Mundo, a âncora de salvação, quando o infortúnio os atinge. Milhões de vozes pedem diariamente o seu socorro... Milhões de corações agradecem a esse grande benfeitor as dádivas do seu amor! Bezerra de Menezes vive nos corações de todos os espiritistas do Cruzeiro do Sul!